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06 março 2011

Por que (não) considerar a crise política no Egito uma ‘Revolução Facebook’


A crise política no Egito deu margem a diferentes análises por parte de estudiosos e cientistas políticos. A maioria delas, citaram um elemento em comum: o uso das mídias sociais no processo revolucionário e enriqueceram ainda mais o debate sobre os impactos do ciberespaço no mundo real. Enquanto alguns denominam a queda de Mubarak como uma ‘Revolução Facebook’, outros encaram isso como um exagero e uma maneira ingênua de distorcer a realidade e minimizar a atuação dos agentes políticos envolvidos.


“’(…) não havia internet em 1917 e os russos fizeram a revolução’. Do ponto de vista objetivo, a frase é perfeita. Mas o sentido dado a ela é distorcido”(Corazza, 2011, p.01). A pluralidade de tipos de redes sociais virtuais e de formas de usá-las é facilmente observada e já começa a gerar efeitos significativos nas diversas esferas que compõem a sociedade atual, denominada sociedade da informação.

Essa nova sociedade é caracterizada principalmente pela “capacidade que seus membros (cidadãos, empresas, poder público, etc) possuem de obter e compartilhar qualquer informação instantaneamente de qualquer lugar e da maneira mais adequada” (Palhares; Rosa; Silva, 2009, p.3). Desta maneira, o acesso ampliado à informação passa a ser um fator facilitador para que transformações sociais e culturais ocorram de maneira menos morosa, provocando uma mudança acelerada de valores, atitudes e comportamentos em diversos grupos sociais.

Tais constatações começam a ser feitas a partir da explosão tecnológica dos anos 1990, que traz consigo meios de comunicação sofisticados, tais como a Internet e as novidades do ramo das telecomunicações. Trata-se das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) que se tornam cada vez mais presentes no desenvolvimento científico, econômico, social e político e potencializam uma nova era em que passa a existir “uma revolução do próprio processo de compreensão do mundo” (Palhares; Rosa; Silva, 2009, p.3).

No entanto, esse movimento está longe de ser considerado uma cultura global, seja pela resistência de alguns grupos ou pela falta de acesso às novas tecnologias, o que vem dando margem a um descompasso tecnológico entre países e a carência por políticas de inclusão digital. Em acordo com a União Internacional da Telecomunicação (UIT), enquanto 71% da população dos países desenvolvidos tem acesso a Internet, nos países em desenvolvimento essa porcentagem não ultrapassa os 21% (The World in 2010: Facts and Figures – UIT, 2010).

Porém, o que se observa é que a relação entre a quantidade de usuários e o impacto causado pelo uso das TIC’s não é totalmente proporcional. Exemplos de cunho político, como a queda do presidente Hosni Mubarak no Egito, ilustram isso de maneira reveladora. Os manifestantes egípcios em meados de janeiro de 2011 transformaram a rede social mais usada no mundo, o Facebook, num instrumento a favor de sua causa, a partir da criação de uma página onde eram postadas mensagens que conclamavam a população, sobretudo os mais jovens, para a revolução.

A página criada no Facebook trazia informações sobre quando, onde e como os manifestantes se encontrariam, alertas sobre que tipo de equipamentos usariam (máscaras de gás lacrimogêneo, por exemplo), links para informações mais detalhadas, meios de contato com voluntários, informações sobre formas de conduta, além de uma “sala de debates” que disponibilizava atualizações constantes feitas pelos próprios usuários da página, que em menos de uma hora após a sua criação já contabilizava mais de 100 mil adesões (Carranca, 2011).

As informações se replicaram rapidamente entre os internautas egípcios que, em paralelo, apoiavam e incitavam para manifestações em suas páginas pessoais. Asmaa Mahfouz, uma jovem de 25 anos, por exemplo, postou em seu perfil do Facebook, várias mensagens de apoio ao protesto na Praça Tahrir. “Eu vou para a Praça Tahrir no dia 25 de janeiro. Eu vou lutar por meus direitos e das pessoas torturadas até a morte pelas forças de segurança” (Carranca, 2011, p.1). Mensagens como essas foram difundidas entre amigos e familiares dos manifestantes o que corroborou para que o protesto na Praça Tahrir reunisse centenas de milhares de pessoas, quando o esperado era algo em torno de 20 mil simpatizantes e se transformasse em um dos símbolos das manifestações no Egito que terminaram no dia 13 de fevereiro de 2011 com a renúncia do presidente Mubarak que já completava 30 anos no poder.

Por outro lado, existemcontra-argumentos que propõem um reforço ao ceticismo em relação à atuação das redes sociais nos protestos do Egito. A maioria desses argumentos baseia-se nos fatos de que 80% da população egípcia não tem acesso à internet e de que o número de usuários egípcios do Facebook seja pouco expressivo, sendo estimado em 6,46% dos usuários mundiais (algo em torno de 5,2 milhões de pessoas, número menor do que o de seguidores do presidente norte-americano, Barack Obama, no Twitter) (Corzazza, 2011). Além, é claro, das restrições no acesso à internet promovidas pelo governo desde o início dos protestos, as limitações infoestruturais e as técnicas de manipulação da informação.

A tentativa de minimizar os efeitos da revolução ‘virtual’ no Egito talvez seja uma forma de enriquecer o debate sobre o poder das redes sociais no mundo contemporâneo, mas negligenciá-los parece ser um erro. Ainda que o acesso seja restrito, a Internet no Egito está ao alcance de uma parcela considerável da população e, além disso, o seu papel como transmissora de informação chega a ser ainda mais importante do que o seu poder de mobilização.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo em setembro de 2010, o sociólogo Manuel Castells, referência atual em estudos e pesquisa sobre a sociedade da informação e as TIC’s, defendeu a idéia de que ao levar em conta que o poder político sempre esteve baseado no controle e na manipulação da informação, a Internet pode ser considerada uma ameaça a este tipo de poder por conceder um grau de autonomia comunicativa e informacional relativamente alto ao indivíduo. Para Castells, “a Internet é a construção da autonomia da sociedade civil” (Castells, 2010), algo que os governos sempre temeram.

Por conseguinte, um modo de acabar com essa ameaça seria o bloqueio ao acesso à rede mundial de computadores e todos os seus recursos, estratégia usada pelo governo de Mubarak. Castells admite ser essa a solução mais eficiente, porém, a mais cara, cujo preço nenhum país pode pagar “porque além de livre expressão, a rede é educação, economia, negócios, é a eletricidade de nossa sociedade”. E como se não bastasse, este tipo de ação distancia povo e governo, gerando desconfiança mútua entre dois dos elementos clássicos e fundamentais do Estado.

Mas considerar a Internet como uma ameaça não quer dizer que ela possui ampla influência no comportamento dos governos. Os governos passam a levá-la em consideração ao pautar suas ações, sabem que não podem mentir e nem manipular a informação sem tomar o máximo de precaução, porém isso não pode ser ponderado como uma alteração de comportamento.

Castells, nesse sentindo, apresenta alguns exemplos interessantes como as manifestações no Irã em 2009 contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad e a deposição do ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya, dois episódios com resultados diferentes em que a Internet, sobretudo o Twitter, funcionou como um instrumento mobilizador importante. Para Castells, o fato de Zelaya ter sido deposto e de Ahmadinejad seguir no poder demonstra que o substrato principal do uso das redes sociais nas manifestações contra o status quo político são as “mudanças que se produzem na mente das pessoas, [ou seja, quando] as pessoas mudam sua forma de pensar e, portanto, de atuar. [Dessa forma,] as ideias não passam necessariamente pela mudança política, mas sim pelas mudanças que os governos têm de implementar em função da pressão da sociedade” (Castells, 2011).

Portanto, classificar o episódio do Egito como uma ‘Revolução Facebook’ é errôneo do ponto de vista que resume todos os acontecimentos como tão somente consequências do uso da Internet e de suas mídias sociais. Mas, o mesmo não acontece se consideramos o ponto de vista que coloca esse fato como um marco na inclusão deste tipo de ferramenta nos processos revolucionários. Não cabe desmerecer as formas usuais de protestos que deram início à revoluções históricas como a Revolução Russa de 1917 e a da Praça Tian’anmen em Pequim em 1989, nem esperar que posts, status ou tweetsconsigam mudar o mundo.


Sendo assim, torna-se mais comedido considerar a Internet como mais uma ferramenta capaz de contribuir com o trabalho das instituições civis e dos demais atores sociais, sem necessariamente substituí-los, em determinados processos de transformação política. Por conseguinte o que se deve esperar são episódios em que essa ferramenta possua uma performance que extrapole os limites virtuais da própria rede intercalados por episódios em que essa transposição não se faça verdade, como aconteceu no Irã em 2009.

Fonte: Escave as mídias sociais

01 julho 2010

Social Media BR - Mídias Tradicionais em Transformação

Pode até ser redundante dizer que as mídias tradicionais, como os grandes canais de TV, estações de rádio e jornais, estão em trasnformação. Uma vez que esta informação está bem espalhada, não só pelos próprios meios de comunicação, mas pela própria experiência do usuário de internet, no caso você.

Mas este é um fenômeno gerado pelas novas mídias que ainda não é compreendido de maneira geral pelo usuário mais comum, e mesmo por quem produz conteúdo nestas mídias tradicionais. Mais considerável ainda são algumas perguntas trazidas pela noção desta transformação.

Como uma mídia de comunicação pode entrar nesta nova onda de web 2.0 e fornecer valor ao conteúdo que gera dentro das midias sociais? Em que sites é necessário estar presente? Como se comportar lá dentro?

A respostas nem são tão difíceis, uma vez que experiências pessoais dentro da web 2.0 já nos traz um parecer. O problema é que entrar ou não para estas novas plataformas já apresenta em si um risco. Há ligeiras (e importantes) diferences entre ser você e uma grande empresa, dentro das tais redes. O #Fail da internet toma proporções gigantescas em curto espaço de tempo e isso pode ser perigoso às grandes corporações e marcas.

Por isso as experiências de quem já deu certo são tão relevantes. Durante sua participação pelo Social Media BR, Erica Swallow, norte americana responsável pelo site mashable.com, contou o que tem visto de interessante nos sites norte americanos, proporcionando assim uma fonte interessante para os brasileiros que querem se infiltrar nestas nova áreas, que já nem são tão novas assim.

O posicionamento dentro de redes sociais sempre depende do serviço oferecido pelos sites e do seu objetivo dentro da web. Por exemplo, se sua marca ou companhia não trabalha com geração de vídeos e não tem intuito de ter uma equipe para tanto, por que abrir um perfil no you tube?

Como você bem deve saber existem diversas redes de relacionamento, cada uma tendo um foco principal. Flickr para fotos, You Tube, Vimeo e Daily Motion para vídeos, Twitter para textos rápidos e comunicação mais instantânea, Four Square para geolocalização, Form Spring para interação entre usuários etc.

Estas são algumas das principais. Mas em que elas são ou podem ser úteis para o seu plano? Por mais insatisfatória que seja a resposta, ela acaba sendo ‘depende’. Resta pesquisar qual site se presta como ferramenta a seus intuitos ou qual site pode ter seu serviço adaptado ao que você está acostumado a oferecer.

Tem um site de crítica a restaurantes? Que tal uma conta no Four Square onde você dá um teaser rápido aos seus seguidores dizendo onde está e o que está achando, para depois completar com a opinião em seu site? Seu público vai ficar esperando!

É desta maneira que você chega a um ponto importante de interação com o consumidor da sua informação: o engajamento. Há uma frequência de consumo por parte de quem acompanha seu trabalho. Qual é esta frequência? É necessário descobrí-la para alimentar os seus e estabelecer o seu perfil de gerador de informação. E isso, sinto muito mas não há fórmula, é com você.

Talvez você se pergunte como a ‘frequência’ pode engajar o seu público, certo? De maneira simples: satisfazendo-o quando ele acha necessário. Isto também pode ser feito através de timing, distribuindo o imediato. Por que guardar para depois o que se pode entregar agora? Mas será que agora é a hora certa para distribuir? Viu, tudo é uma questão de frequência. E é você quem sente o que seu público quer.

Outro engajamento se dá com a distribuição não apenas da informação gerada por você. Seu público está envolvido contigo em redes sociais, na grande maioria das vezes, pelo conteúdo que você distribui, e não pela marca que você representa. Se o que ele consome é conteúdo, por que não assumir que outros geradores de conteúdo têm produtos tão interessantes quanto os seus.

O twitter e o facebook são ferramentas que ajudam neste sentido. Através deles você pode distribuir links com conteúdos de outros, tornando-se uma referência. Pense que desta maneira você acaba sendo mais completo.

Mas o mais competente nas questões de engajamento é interagir. Faça perguntas e responda quando for necessário. Não fuja desta relação. E seja sempre educado, inclusive com que não lhe tratar desta maneira.

A performance das Mídias Tradicionais também mudou em relação a promoção de seu conteúdo. Há diversos widgets na web que podem fazer isso e, assim como as redes sociais, eles precisam ser escolhidos de acordo com as suas necessidades.

O que são widgets? São ferramentas virtuais relacionadas a sites que oferecem serviços. Exemplo, você tem uma página no facebook, que tal mostrar em seu site o rostinho de quem te segue por lá? Há widgets que fazem isso. São códigos na maioria das vezes oferecidos pelos próprios prestadores de serviço, como neste caso o Facebook. Geralmente são gratuitos e o procedimento não poderia ser mais simples: copiar e colar.

Porém esses widgets têm seu lado ruim. Eles podem deixar você mais preguiçoso, fazendo com que apenas replique conteúdo. Evite o eletrônico ou espelhado. Replicar no facebook o que você apresenta no twitter não acrescenta nada e ainda pode deixar algumas pessoas irritadas, afinal algumas estarão contigo nestas duas mídias.

Porém tornar os processos automatizados também não é pura vilania ou preguiça cibernética. Quanto mais fácil for para o seu consumidor distribuir a sua informação, melhor.

Pense por exemplo num site que apresenta em sua barra lateral algumas twittadas que as pessoas andam dando sobre ele. Não seria ainda mais eficiente se aquela barra oferecesse a opção do leitor dar RT no que lê ali?

São idéias como esta que geram um fluxo ainda maior de informação sobre você na web. Isso é dar a si oportunidades de aumentar sua relevância.

Neste aspecto o uso de widgets pode ser ainda mais interessante, mas tudo deve ser colocado na balança.

Há que se tomar cuidado com a quantidade deles, afinal você não vai querer perder a sua identidade para uma porção de identidades menores, certo? E pense assim: redes sociais vêm e vão, o seu espaço deve estar pronto para recebê-los e deixá-los ir.

Enquanto a hora de ir não chega, que tal mostrar quem curtiu sua página oficial no facebook em sua barra lateral? Mais pessoas podem te \'curtir\' ao ver que outras também curtiram.

E isso evidencia um fato importante, afinal muito mais do que as redes sociais mudarem as mídias tradicionais, o que temos na verdade são as pessoas mais unidas modificando a forma de distribuição da comunicação.

Neste aspecto somos todos iguais, portanto servimos como ótimos termômetros do que podemos e do que queremos consumir. Você ou sua marca está em acordo com estas possibilidades?


Fonte: TV Cultura



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